Ex-presidente do Botafogo e muito influente na política do clube, Carlos
Augusto Montenegro confirmou o movimento para que o Botafogo devolva,
sim, o Engenhão à prefeitura do Rio de Janeiro. Membro de um conselho
consultivo em General Severiano, o ex-dirigente garante já ter
conversado com o atual presidente, Maurício Assumpção, e o diretor
executivo e administrdor do estádio, Sérgio Landau, que teriam
concordado com a iniciativa. O motivo: sem a possibilidade de realizar
eventos de qualquer tipo no estádio, o clube não teria condições
financeiras de arcar com a manutenção. Revoltado com a interdição,
Montenegro fezcríticas pesadas ao estádio.

"A gente vai devolver. O Botafogo não tem condição de pagar
manutenção de gramado, segurança, conservação, água e luz sem ter
movimento, jogo. Botafogo não é poder público. Não sei se isso vai
demorar, três meses, dois meses, cinco meses. A gente não tem condição
de pagar mais. Sou um sem teto. Aquilo não é nosso. Está podre", afirmou
Montenegro em contato com o site espn.com.br
Nesta
quinta-feira, no início da noite, em General Severiano, haverá uma
reunião entre poderes do clube para dar um caráter oficial à devolução
do estádio à prefeitura. Segundo Montenegro, as conversas com o prefeito
Eduardo Paes estão curso há alguns dias. O ex-presidente do Botafogo
não acredita que o Botafogo enfrentará problemas legais para devolver o
estádio. Mas, ainda que tenha, ele garante que o clube vai entregar as
chaves do estádio à prefeitura do Rio.
"A reunião na quinta-feira é para respaldar, fazer um documento,
dar força e a gente desabafar. Não tem nenhum maluco que vai querer
ficar com isso. Imagine o risco que corremos com jogos para 40 mil
pessoas lá? Na minha opinião, a cobertura tem de ser derrubada e
refeita. É uma coisa muito séria. Não pode haver gambiarra. Estamos
conversando com o prefeito e não teremos problemas em devolver. Se ele
não aceitasse, a gente devolveria na Justiça, em juízo", disse
Montenegro.

O
ex-dirigente ainda não sabe, no entanto, como o Botafogo fará com
contratos como o de camarotes, por exemplo. Montenegro garante ter o seu
próprio no estádio e que está recém-reformado. Dizendo-se traído, ele
atacou também as empreiteiras responsáveis pela construção do estádio,
inaugurado em 2007 e arredando ao clube carioca por 20 anos, com opção
de mais 20. O clube considera já ter tido prejuízo, já que uma
negociação para naming rights do estádio com a Caixa Econômica Federal
estava em curso, mas acabou encerrada e até mesmo sem perspectivas no
futuro.
"É um absurdo que as empreiteiras
façam um papelão desse. O risco que essas pessoas correram porque
empreiteiras não tiveram a menor consideração com o projeto, com o
material empregado, que foi uma porcaria. Algumas dessas empreiteiras
inclusive trabalham fora com metrôs e aeroportos nos Estados Unidos.
Duvido que eles façam essa porcaria lá. Dá cadeia", afirmou Carlos
Augusto Montenegro.
Procurada pela reportagem,
a diretoria do Botafogo, por meio do departamento de comunicação,
informou que a posição de Montenegro não reflete a posição oficial do
clube no momento. O presidente Maurício Assumpção e o diretor executivo,
Sérgio Landau, estão reunidos fora do clube. Para esta semana, está
agendada uma reunião da diretoria com o prefeito Eduardo Paes para
tratar sobre o tema.



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