sexta-feira, 7 de junho de 2013

Biógrafo de Bielsa diz que dinheiro do Santos importa menos do que projeto

Sonho da direção do Santos para a vaga até recentemente ocupada por Muricy Ramalho, o argentino Marcelo Bielsa deve priorizar o projeto esportivo que lhe for oferecido às cifras do salário. Pelo menos é o que acredita o biógrafo do folclórico treinador, baseado nas escolhas de carreira anteriores do comandante conhecido como "El Loco".

Autor do livro "Lo Suficientemente Loco", o jornalista argentino Ariel Sinosiain afirma que a direção do Santos deve preparar um pacote esportivo que combine com as condições de trabalho que Bielsa geralmente gosta de ter ao alcance. Segundo o biógrafo, esses elementos podem ser mais decisivos do que dinheiro no processo para persuadir o treinador a vir ao Brasil.

"Ele é um técnico reconhecido no mundo, e o clube interessado deve pagar um contrato de acordo com isso. Mas não vejo o dinheiro como algo principal para ele eleger um clube", afirmou Sinosiain.

"Para aceitar um trabalho, o Bielsa necessita das condições que ele acredita serem indispensáveis. Mais do que o trabalho, mais do que o lugar e a equipe. A maioria dos técnicos do mundo escolheria a Inter de Milão ao invés do Athletic Bilbao, mas ele fez o contrário. Tinha um compromisso com o presidente do Athletic e não recuou", argumenta o jornalista.

No entanto, no último final de semana, Bielsa assustou a diretoria santista com pedido de 4 milhões de euros por ano. O argentino também teria solicitado um período de descanso, para assumir o time só em janeiro. Mesmo assim a cúpula alvinegra teria mantido o técnico no topo de sua lista de prioridades.

No tal "pacote Bielsa", o biógrafo diz que o treinador costuma olhar para as ofertas projetando se terá condições de implantar seu modo tático de futebol. Também de acordo com o jornalista, o "El Loco" gosta de lidar com jovens valores, em característica que atenderia à demanda atual da diretoria santista.

"É o que ele entende do plantel, se os jogadores podem se adaptar a sua forma de jogo, se há jovens interessantes. Ele também valoriza muito a infraestrutura de trabalho disponível. Me parece que se [o Santos] convence ele disso, pode conseguir. O problema é que ele vem de duas temporadas muito intensas no Bilbao, teríamos que ver se é possível mudar o chip para o trabalho em uma liga tão distinta como a brasileira", declara o biógrafo de Bielsa.

"Em todos os clubes que trabalhou lidou com jovens. No Newell’s usou juvenis, assim como no Vélez, quando buscou vários garotos, nomes que depois tiveram uma boa carreira. No Atlas, do México, trabalhou com muitos juvenis. E na seleção fazia questão de treinar sempre junto com a equipe menor (juniores). Ele tem um respeito maiúsculo pelos formadores, mais do que pelos técnicos dos profissionais", emenda Sinosiain.

Bielsa é conhecido internacionalmente por sua aversão à fama. Na Copa do Mundo de 2010, por exemplo, o então técnico do Chile concedeu entrevistas coletivas de 40 minutos sem olhar para os jornalistas uma única vez, com a cabeça baixa. Para seu biógrafo, essa característica não seria um problema no Brasil, lugar onde os treinadores dos grandes times lidam com uma exposição muitas vezes exagerada: "seria mais complicado para a imprensa do que para Bielsa".

Apesar da conotação folclórica que acompanha o treinador argentino, o jornalista que se lançou na missão de entender sua carreira diz que o termo “louco” se justifica apenas no universo do futebol.

"No futebol da Argentina, louco pode significar aquele que sai do normal. E ele sai do normal. Não é tão formal como outros técnicos, solene muitas vezes. Por sua obsessão pelo trabalho. Mas é louco no bom sentido. Quem o conhece na intimidade sabe que é outra coisa", define.

Mesmo assim, anedotário a respeito de "El Loco" inclui alguns casos curiosos. Bielsa já apareceu na casa de um jogador às 3h da manhã para contratá-lo, colocou sozinho madeira em cima do campo para que operários não danificassem a grama e, dizem, tem uma vasta coleção de VHS com jogos até de times pequenos do Paulistão.

Fonte:Uol Esportes

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